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Para esta edição da Elsevier News conversamos com a
geneticista e pesquisadora Mayana Zatz, agraciada com
o Prêmio Scopus Brasil 2007. |
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Mayana foi voz ativa, em Brasília, na aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005, que não entrou em vigor por conta de uma ação de inconstitucionalidade. Após uma longa campanha para a aprovação dos estudos com células-tronco embrionárias (CTE), previstos na mesma lei, a cientista comemorou, no final de maio último, o parecer favorável do Supremo Tribunal Federal. |
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Mayana é graduada em Ciências Biológicas e tem mestrado em Genética pela Universidade de São Paulo (USP). Fez doutorado na mesma instituição e pós-doutorado em Genética Humana e Médica na Universidade da Califórnia (UCLA). É Pró-reitora de Pesquisas da USP, Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Professora Titular de Genética do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da USP. É membro da Academia Brasileira de Ciências, Academia de Ciências do Terceiro Mundo (TWAS) e Presidente-Fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM). Atua em biologia molecular com enfoque em doenças neuromusculares e pesquisas em células-tronco. |
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Que balanço faz dos últimos três anos, em que setores fundamentais do Brasil se mobilizaram para a aprovação das pesquisas de CTE?
Houve um envolvimento muito grande de vários órgãos da imprensa, inúmeras pessoas apoiaram a causa. Isso fez toda a diferença. Sempre defendi que os avanços científicos dizem respeito à sociedade e devem ser discutidos com a sociedade. E isso aconteceu. Foi extremamente positivo.
Desde que a senhora começou a escrever para uma revista semanal, que dúvidas mais freqüentes recebe dos leitores?
A questão das pesquisas com as células-tronco foi o foco da maior parte das perguntas. As pessoas querem saber quando os estudos vão se transformar em tratamentos. Mas recebi muitas mensagens de cunho filosófico e religioso, principalmente sobre o momento em que a vida começa. Aconteceu também um movimento interessante, de várias pessoas que ficaram muito revoltadas com o meu posicionamento e até me ofenderam e que, com o passar do tempo, mudaram de idéia e se desculparam.
Como analisa o papel dos veículos de comunicação, hoje, na divulgação de pesquisas científicas?
Melhorou muito, mas há muito para evoluir. Há um interesse maior da população, os veículos, hoje, têm mais espaço para o assunto, mas faltam jornalistas especializados na área. E não é só no Brasil, vários países têm a mesma carência. Há cientistas, como eu, que gostam de escrever, mas é preciso saber “traduzir” as informações acadêmicas para o leitor comum e não é uma tarefa fácil. Eu, por exemplo, tive muitas dificuldades quando comecei.
Seu trabalho de aconselhamento genético começou junto com a criação da Associação Brasileira de Distrofia Muscular, em 1981? Poderia fazer um balanço de todos esses anos de atendimento às famílias que procuraram o serviço?
Iniciei o trabalho de aconselhamento ainda na faculdade. Fiz Doutorado, Pós-Doutorado, fui para os Estados Unidos e vi que os pacientes com distrofia, lá, eram tratados com os mais modernos recursos. Quando voltei, contatei as famílias de alto risco com as quais havia trabalhado e percebi que elas tinham tido poucos filhos, no entanto as crianças que já eram nascidas e afetadas pela doença estavam totalmente excluídas, não freqüentavam a escola, não faziam nenhum tratamento. Foi quando decidi que precisava fazer algo mais, além de ser cientista. E abri a associação, que começou a funcionar na minha sala aqui na USP e, hoje, está numa casa do Campus, que já não nos atende mais. Estamos buscando apoio para mudar para uma sede maior.
A senhora recebeu o Prêmio Scopus no ano passado. O que a homenagem representou?
Primeiro, somos reconhecidos quando um trabalho é aceito numa boa revista científica, depois quando nossos pares nos citam. E os prêmios são um reconhecimento ainda maior, principalmente porque são baseados em critérios bastante objetivos.
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