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Motivada por aprimorar o desenvolvimento de novas e interessantes iniciativas para a Argentina no campo da física experimental de altas energias, María Teresa Dova lidera, desde 2006, um grupo de pesquisadores argentinos nos estudos sobre o ATLAS, um dos detectores do novo acelerador de partículas - o Large Hadron Collider - inaugurado em setembro na fronteira da França com a Suíça e considerado o experimento científico mais ambicioso da história. É a primeira vez que a Argentina participa de estudos do Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear, o CERN. |
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María Teresa completou seu doutorado em Física em 1988, pela Universidad Nacional de La Plata (UNLP), e obteve uma bolsa de estudos de Pós-doutorado para pesquisar o experimento L3 do acelerador LEP, no CERN, então dirigido pelo Prêmio Nobel S. Ting. Em 1992, iniciou a atividade de pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET) e, mais tarde (1994), como professora do Departamento de Física |
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da UNLP, iniciou o grupo experimental de partículas. Posteriormente começou a estudar a física dos raios cósmicos de ultra alta energia e se incorporou ao Observatório Pierre Auger, concebido e dirigido por J. Cronin, Prêmio Nobel de Física. Como resultado dessas pesquisas publicou mais de 300 artigos em revistas científicas internacionais.
Tem realizado numerosas visitas científicas e proferido seminários em vários países. Em 1993, obteve o Prêmio Dr. Eduardo PD De Robertis, outorgado pela Secretaria de Ciência e Técnica. De 2001 a 2007 foi professora adjunta na Northeastern University, em Boston. Em 2000, a John Simon Guggenheim Foundation (USA) lhe deu uma prestigiosa bolsa de estudos. Em 2007 recebeu o Prêmio Scopus Argentina.
María Teresa concedeu uma agradável entrevista à Elsevier News, que temos prazer em compartilhar. |
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Como surgiu seu interesse pela física de altas energias? |
Fiz meu doutorado em Matéria Condensada e, ao finalizá-lo, os professores Epele, García Canal e Fanchiotti, fenomenólogos do Departamento de Física, me incentivaram a tentar uma bolsa de estudos de Pós-Doutorado junto ao CERN para o experimento L3. Claro que isso significava mudar radicalmente o foco das minhas pesquisas, mas tomei a decisão e assim comecei minha carreira em física de altas energias. Se hoje estivesse na mesma situação, faria à mesma opção. |
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Qual é a sensação de contribuir para a pesquisa do LHC, experimento científico considerado o mais ambicioso da história? Acreditava que isso seria possível, um dia? |
Desde 1990, faço pesquisas em física de altas energias com experimentos do CERN, primeiro com o World Lab e depois com a Northeastern University (USA). Sempre pensei em continuar no LHC pela importância do projeto e porque é o instrumento que nos permitirá encontrar as respostas que por tantos anos temos buscado, mas meu sonho era poder realizá-lo com meu próprio grupo de pesquisadores, na Argentina. Assim, em 2005, comecei um projeto científico conjunto com o grupo de altas energias da Universidad de Buenos Aires, a UBA, que culminou com o ingresso formal da Argentina no ATLAS. Creio que foi um momento histórico para nosso país nesta área que, pela primeira vez participa oficialmente do CERN. Para alcançar esse objetivo não precisamos somente de cientistas, estudantes e projetos de pesquisa, mas de apoio governamental, que se efetivou através do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva. |
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Em linhas gerais, como é, no dia-a-dia, a participação do grupo de pesquisadores que a senhora coordena com todos os outros pesquisadores ao redor do mundo? |
A atividade é muito intensa, com reuniões pelo telefone praticamente todos os dias, discussões com os estudantes que estão aqui em La Plata e com os que neste momento se encontram no CERN, com colegas de outras instituições em reuniões de grupos de análises onde apresentamos nossos resultados, coordenando as atividades em nível internacional. Com meu grupo na Universidad Nacional de La Plata temos realizado pesquisas que visam determinar o conteúdo de quarks e glúons do próton, o que nos permitirá entender, em uma região de energia jamais antes estudada, a estrutura mais profunda da matéria. Essas análises são parte do menu de pesquisas que planejamos desenvolver no ATLAS, mas com a certeza de que sempre deixamos a mente aberta para aquilo que nem sequer imaginamos. |
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A senhora recebeu o Prêmio Scopus Argentina por sua trajetória e também foi reconhecida como “Cidadã Ilustre” da cidade de La Plata. Poderia citar outros momentos que marcaram seu trabalho? E como vê a fase atual de sua carreira? |
Em diferentes etapas da minha carreira científica houve momentos que me encheram de satisfação e marcaram a direção a seguir em minhas pesquisas: o instante em que me ofereceram a bolsa para o Pós-doutorado no CERN; os primeiros resultados do experimento L3; cada defesa de tese dos meus estudantes; a bolsa de estudos para o Guggenheim que recebi em 2002 e que me permitiu continuar as pesquisas em meu país no meio de uma tremenda crise econômica; ter conhecido J.W. Cronin, que me incentivou a participar do projeto Auger; o dia em que fomos aceitos formalmente no ATLAS… Nós, cientistas, somos apaixonados por nossa atividade. A dedicação ao trabalho neste momento é enorme, uma lindíssima etapa de minha carreira, porque posso realizar meus próprios projetos com um grupo de talentosos jovens pesquisadores e estudantes, e com perspectivas de pesquisas futuras na fronteira do conhecimento com experimentos do mais alto nível no mundo. |
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Com certeza desenvolve outros projetos paralelos ao LHC. Gostaria de citar algum? |
Participo, com meu grupo, há quase dez anos, do Observatório Pierre Auger, em Malargue, Argentina. Trata-se de um esforço internacional de mais de 17 países com o objetivo de encontrar a resposta para a origem, mecanismos de aceleração e composição dos raios cósmicos de energia ultra-elevada. Também participo do projeto EELA (E-Infraestructure shared between Europe and Latin America), da Comunidade Européia, cujo objetivo é ajudar países latino-americanos a alcançar a “e-infraestructure” européia. Com esse projeto se iniciaram as atividades do GRID em meu país. |
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| Qual a importância das bases de dados em seu trabalho? |
As bases de dados são muito importantes e, sempre que tenho que buscar informações sobre trabalhos em minha área específica e em física, de modo geral, encontro no Scopus as respostas adequadas. |
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